Março, 2009

Profissional??

Lendo o Blog do Wianey Carlet, aqui da Zero Hora de Porto Alegre, me deparei com um texto escrito por Fernando Martins, que retrata a minha exata opinião sobre os jogadores de futebol brasileiros e que reproduzo abaixo. Mas, infelizmente, acredito que, assim como os políticos, famosos, big-brothers e outras categorias mais “vitrinadas” do que a grande parte do povo brasileiro, são apenas um retrato, representação fiel da cultura dominante e da falta estrutural de educação em nosso país. O título do texto é “A decadência moral do jogador brasileiro”. Será que não poderíamos suprimir a palavra “jogador” desta frase?

A decadência moral do jogador brasileiro

Nada é mais deprimente do que a Seleção Brasileira, Wianey. Não pelo futebol, mas pelos seus protagonistas. Desculpa a expressão, mas é uma chinelada. É a cultura da indolência, do antiprofissionalismo e da falsa malandragem. As atitudes dos jogadores na suas vidas pessoais são o retrato mais fiel do espírito de proteção e da puxação de saco infantil protagonizada por dirigentes, torcedores e setores da imprensa.

Robinho é um exemplo. Mora em Manchester, uma cidade portuária, que sofreu terrivelmente com o desemprego na era Thatcher, mas hoje é uma cidade próspera, “cult” entre os “modernos” e “descolados” ingleses. Pois, em vez de aproveitar esse clima cultural da cidade, Robinho vai a uma boate de terceira categoria, freqüentada por gente de quarta categoria num bairro célebre pela prostituição e tráfico de drogas, principalmente originárias do Leste Europeu. Dirigindo um Lamborghini. Na sua última “good time” noturna no Rio, ele e Adriano, aquele que tem problemas com álcool e é amigo de traficantes no Rio de Janeiro, farrearam por 12 horas, numa festa com travestis. Nem vou falar naquele episódio do helicóptero fretado por Robinho, pousando num campo da Granja Comary, levando seu sorridente e atrasado locatário. Ridículo, no mínimo.

O problema? Tentar crescer um pouco intelectualmente virou sinônimo de “máscara”. Para eles, apenas amadurecer mentalmente já é “máscara”. Ou se é um alienado religioso feito Kaká, metido com aquele casal, dublê de bispos e vigaristas, ou se é um babaca que só quer saber de pandeiro e cavaquinho. Aliás, pelo interesse que esses jogadores, porque são jogadores, não atletas, tem pela música, melhor fariam largando o futebol e montando um grupo de pagode. A dedicação a batucada é total, ao esporte que banca seus Lamborghinis e travestis, nenhuma.

É muita chuteira colorida, brilhante na orelha e trancinha no cabelo. É muita infantilidade, malandragem pré-adolescente. E o pior, o treinador, marcador implacável quando jogador, parece não mandar em nada. Com a imprensa ele vira o Dunga capitão, é feroz, olha nos olhos, vira bicho. E com seus subordinados?

Me lembro de velhos malandros. Que faziam muita festa, mas pelo menos tinham estilo. Renato Portaluppi não fechava sítio no subúrbio para farrear com travestis, frequentava a boate da moda, sempre com belas mulheres, Luma de Oliveira era uma delas. Era só entrar e ver. Paulo César Caju era “habitué” da noite de Monte Carlo, quando jogava no Olympique de Marseille, jantava com Grace Kelly e o Príncipe Rainier. Depois parou de jogar e regrediu, caiu no pó. Hoje, Robinho é acusado de estupro numa boate bagaceira de Manchester. Anos atrás, se comentava que Falcão teria um caso com Ursula Andress. Pelé era visto com atores de cinema no famoso Studio 54, em Nova York, quando jogava no NY Cosmos. Adriano patrocina baile funk para péssimas companhias. David Beckham, que todos adoram colocar em dúvida suas preferências sexuais, nunca foi visto com travestis. É visto sim com Victoria, a Posh Spice, em desfiles de moda e restaurantes elegantes. Seus amigos? Tom Cruise. Sabe-se que Robinho e Ronaldinho são pais e suas esposas são mantidas no ostracismo para não expor a intimidade delas. Claro, isso é o depoimento politicamente correto, mas quem não quer expor com quem teve filhos são eles. Quem não quer passar por constrangimentos, são eles.

Para eles, o negócio é carro, festa decadente e pagode. Ter uma bela mulher, como o Roger, que casou com a Deborah Secco e frequentava teatros, cinemas e bons shows é “máscara”. O negócio é manter as péssimas amizades, aquelas que só querem sugar, verdadeiros parasitas, dar escândalos e fazer palhaçadas mundo afora. E umas trancinhas novas no cabelo de vez em quando. Aquele fogo da vitória, o prazer de ter aquela fera dentro de si, querendo explodir pelo prazer de vencer, pelo amor ao que faz, seja onde for, no Brasil, na Inglaterra, na Alemanha ou nas Ilhas Salomão, é papo de motivador, é um pé no saco que atrasa a hora do pagode.

Por isso a Seleção Brasileira, para mim, é feito água: inodora, incolor e insípida. Um pé no saco.

Outubro, 2008

Capital Capitalista

Tentando dar continuidade ao blog, algumas considerações sobre o trabalho e o salário nas relações empresa-empregado modernas.

No meio empresarial, vejo muitas pessoas fazerem observações e até reclamarem das ações trabalhistas, ganhas na maioria das vezes pelo autor da ação, ou seja, em 99% das vezes o empregado. Mas vejo que esta é uma visão limitada de todo o contexto em que estamos inseridos e da real função das leis e regras do trabalho. Contexto que surgiu durante a revolução industrial e ganhou grandes adeptos teóricos como Adam Smith e Karl Marx.

As pessoas respondem a estímulos. Suas empresas também. Se não houvesse uma legião de defensores e efetivos direitos por parte dos trabalhadores, o que impediria de as empresas usarem práticas de abuso do trabalho e até a escravidão? Moral e ética? Não é o que o caso Enron nos diz. E você como empresário sentiria-se bem com um “bando” de trabalhadores em condições sub-humanas, dependendo diretamente de você para sobreviver?

A boa notícia é que o capitalismo não se sustentaria desta forma. Aliás esse é o motivo principal da abolição da escravidão nas colônias luso-hispânicas: a pressão inglesa para o fomento do capitalismo, modelo econômico que depende de uma coisa muito simples – o salário.

As regras trabalhistas (que, diga-se de passagem, são bastante uniformes em todo o mundo) garantem a continuidade da existência de um importante pilar de sustentação do capitalismo - o consumo. São consideradas pela Organização Mundial do Comércio, inclusive, como proteção a concorrência global, muito mais do que aos trabalhadores e aos direitos humanos.

Entendo que ao defenderem com unhas e dentes os direitos dos trabalhadores, sindicalistas, partidos políticos e até os movimentos pró-comunistas ainda remanescentes buscam fortalecer o ponto mais criticado por todos, ou seja, o próprio sistema econômico.

Um empresário de visão, sabe que uma das chaves do seu sucesso é dar a melhor condição possível de trabalho e vida para os seus colaboradores, e não para que seja admirado ou para que sua empresa tenha o carimbo de “melhor empresa para se trabalhar”, mas por que um funcionário satisfeito com a empresa é um potencial consumidor de seus produtos/serviços, assim como é uma importante ferramenta de divulgação e defesa frente a eventuais problemas e a concorrência.

Ahh… e assim também não é necessário ficar se preocupando em criticar as causas trabalhistas.

Julho, 2008

Under Construction (Parte 2)

Os primeiros sites da Internet costumeiramente traziam a inscrição Under Construction em páginas e seções inacabadas. Quem não lembra dos .gifs animados e até divertidos indicando esta característica?

       

Antes disso, as técnicas de programação identificaram a necessidade de uma documentação mais detalhada das funções e procedimentos que ficavam cada vez mais complexos. Com a documentação surgiu o controle de versões, provavelmente herdado das normas internacionais de gestão da qualidade (ISO9000, por exemplo) que sugerem fortemente o controle de versões e revisões dos documentos necessários a execução das tarefas nas empresas. No caso dos softwares, convencionou-se (diga-se de passagem que não achei registros desta convenção; talvez seja mais uma influência do Microsoft way of life) que as versões de um programa de computador seriam numeradas e com sub-versões (0.0, 0.1, 1.0, 1.1, 2.0 e assim por diante). Na seqüência da evolução das práticas de desenvolvimento, a verificação do correto funcionamento e da qualidade também ganharam importância, adotando-se notaçãoes específicas para as versões destinadas exclusivamente a testes. As letras gregas foram utilizadas, tornando populares as versões beta e os beta-testers.

Por volta de 1999, navegando na Internet em meu Netscape recém baixado, um destes ícones me chamou a atenção. Mais pelo caráter de comédia do que por qualquer outra coisa, mas que por algum motivo acabou nunca caindo em esquecimento:

Talvez por que aquilo fazia todo o sentido. Qual software ou página na Internet alguma vez foi de fato finalizada? Podem muitos ter cumprido com seus propósitos e atendido 110% as exigências definidas em declarações de escopo, mas qual criador destes sistemas não tem uma lista de detalhes que poderiam ter sido melhorados e que a exigência do cumprimento de prazos ou dos clientes não o deixaram?

Anos mais tarde, surgiam Google, Orkut, Wikipédia e uma onda que pode ser comparada a um tsunami de sites que sinalizam estar em versão beta. Procurando pela expressão “beta” no Google temos mais de 500.000.000 de resultados listados, enquanto a palavra “televisão” apenas 20.000.000. Muitos destes são sites que admitiram, na verdade, estarem always under construction, se aproximando muito dos modernos conceitos das ciências da administração que remetem a idéia de que administrar não é montar ou construir uma estrutura de produção ou prestação de serviços, e sim, realizar uma constante estruturação.

Julho, 2008

Under Construction (Parte 1)

Para começar a falar de Under Construction, retomo um texto escrito por mim em Abril/2006. Foi uma análise na época da situação calamitosa em que a maior empresa aérea que o Brasil já teve acabou se envolvendo. Basicamente, podemos afirmar que a VARIG achava que estava contructed e ignorou novas possibilidades e caminhos para a manutenção do sucesso. Se seus administradores tivessem a consciência de que estavam Under Construction, é muito provável que a situação hoje seria outra.

Mas aproveitando o assunto e o recente reaparecimento na mídia sobre o underground das negociações de venda da cia. aérea, também vale a pena reler o artigo. Será um atestado de competência da regulação o fato de as três maiores empresas do setor no país (que há cerca de 15 anos representavam 98% do mercado) terem simplesmente desaparecido, cedendo lugar a empresas novas e inexperientes? Tradição e experiência não seriam fatores importantes para todo o setor?

Nos próximos posts, mais sobre Under Construction.

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VARIG: Os erros de gestão da cia. aérea e do governo brasileiro no tratamento da questão:

Fiz uma análise do ponto de vista de um administrador sobre toda a problemática vivenciada pela VARIG nos últimos anos. Ficou um pouco extenso, mas não quero deixar de expressar minha opinião completa neste fórum, formado por futuros administradores.

Optei por dividir essa análise em duas: (1) o ponto de vista de um administrador da cia aérea e (2) o ponto de vista de um administrador do país (não necessariamente o presidente, mas toda a equipe de governo envolvida com a questão).

No primeiro caso, não há como negar que os erros foram muitos. Desde a primeira crise enfrentada pela empresa nos anos 40, qdo foi criada a Fundação Rubem Berta, muitas decisões passaram a ser tomadas de acordo com interesses pessoais ou até sentimentais, numa visão romântica do cenário econômico mundial e com pouco compromisso com a saúde operacional da empresa. A Fundação Rubem Berta foi a associação de funcionários que até o início deste mês controlava a VARIG sob um sistema arcaico e inadequado de administração. Existia uma assembléia (ou conselho administrativo) que votava (com poder de validação/veto) a maioria das decisões do seu corpo executivo. Dá para imaginar que decisões polêmicas como o enxugamento da folha de pagamento através de corte de pessoal e redução de benefícios raramente fossem aprovadas, visto que o conselho era formado por representantes dos funcionários. No entanto, a aprovação de tais decisões se revelariam anos mais tarde essenciais para a manutenção da empresa no mercado. Além disso, a imprensa tem veiculado em várias oportunidades as inúmeras ocorrências de desperdícios e desvios de dinheiro patrocinados pelos principais executivos e funcionários da empresa que nunca foram devidamente combatidos e eliminados.

Contudo, também é necessário considerar que foram muitas as ações louváveis e de grande demonstração de patriotismo e pioneirismo tomadas pela VARIG em seus últimos 50 anos de operação: durante os anos 60, 70 e 80 a VARIG sustentou várias rotas não-rentáveis, apostando e ajudando o governo do Brasil a desenvolver localidades e cidades mais afastadas dos grandes centros. Em meados dos anos 70, a PETROBRAS iniciou sua fabricação de querosene de aviação, tecnologia antes dominda pelas estrangeiras Shell e Esso. Mesmo com proposta economicamente melhores das concorrentes americanas, a VARIG optou por utilizar o combustível brasileiro simplesmente para investir em um produto nacional. Durante estes últimos 50 anos a VARIG adquiriu respeito e admiração na indústria aérea mundial, seja por seus serviços ao cliente (de bordo e em terra), seja pela qualidade técnica de seus pilotos e mecânicos. Ainda hoje, apesar de toda a crise, a VARIG detem cerca de 75% do mercado internacional de aviação entre empresas brasileiras e 20% do mercado nacional, ou seja, O Brasil hoje é um exportador na área de aviação graças ao desempenho internacional da VARIG.

Para balisar estes argumentos, levantei alguns números pertinentes nos relatórios de administração da companhia (disponíveis no site <http://financas.varig.com.br>):

  • A dívida da VARIG é de R$5,7 bilhões e seus principais credores são a Receita Federal (através do Parcelamento Especial PAES; R$3 bilhões), o fundo de previdência AERUS (R$1,1 bilhão), a GENERAL ELETRIC (R$241 milhões), a INFRAERO (R$200 milhões), o BANCO DO BRASIL (R$126 milhões) e a PETROBRAS (R$59 milhões). O seu passivo a descoberto chega a R$7,4 bilhões.
  • Existe uma ação na justiça contra o governo brasileiro, pleiteando uma indenização de aproximadamente R$4,5bilhões por defasagem tributária causados pelo congelamento de preços no governo Collor. A mesma causa já foi ganha, e devidamente paga, para as antigas concorrentes VASP e TRANSBRASIL. Portanto, a jurisprudência gerada nestes casos torna a causa praticamente ganha.
  • As operações de vôo da VARIG (seu “core business”) geram uma receita líquida de aproximadamente R$5 bilhões/ano, com um custo de R$4,1 bilhões/ano. Existem cerca de R$900 milhões disponíveis para financiar os custos administrativos e comerciais, além de receitas provenientes de ações como o Smiles (programa de fidelidade que tem receita de aprox. R$20 milhões/mês). Dessa forma, uma correta administração destes fatores associada a execução do crédito junto ao governo proveniente da ação de defasagem tarifária, torna a VARIG altamente viável a curto prazo e a médio e longo prazo, muito lucrativa.

Agora, para analisar o segundo ponto de vista (governo), podemos antes analisar os mesmos dados por outra ótica:

  • A VARIG trás ao país cerca de R$1,3 bilhão em divisas, colaborando positiva e diretamente com a balança comercial brasileira;
  • Dos R$5,7 bilhões que compõem a dívida da companhia, cerca de 65% são devidos ao próprio o governo, sob a bandeira de empresas públicas (INFRAERO, BANCO DO BRASIL e PETROBRAS) e para os cofres da Receita Federal e INSS;
  • No caso de a VARIG parar de operar, seria bem complicado recuperar essas divisas, visto que os cerca de 25 destinos internacionais operados pela companhia não podem de imediato ser absorvidos pelas demais empresas nacionais, seja por capacidade tecnica e comercial, seja por dependerem de acordos bilaterais entre as companhias e governos dos países envolvidos. A VARIG levou 50 anos de trabalho para conquistar estes espaços. Muitos aeroportos da europa como o de Frankfurt e o de Londres possuem lista de espera de companhias interessadas em operar em suas dependências. A vaga (ou “slot”) da VARIG, seria substituída pela primeira empresa da “fila” (provavelmente uma low cost americana ou uma das crescentes asiáticas);
  • Contribuir com investimento direto para a cia. aérea deflagaria um possível erro administrativo, pois os cofres públicos (e , portanto, os bolsos dos contribuintes) não tem porque arcar com os erros de administração de uma empresa privada;

A conclusão, quase óbvia, da análise destes dados, é que o governo deve agir de forma a contribuir para que a companhia achasse uma saída “de mercado”, para que o resultado comercial do país não sofresse impacto negativo, assim como evitar que os cofres públicos (de empresas estatais e da Receita Federal) obtivessem prejuízos decorrentes da quebra da empresa já que seus créditos junto a mesma seriam perdidos.

Agora, concluindo esta minha breve análise, fica muito difícil entender as ações efetivamente tomadas pelo governo nos últimos dias em relação a este assunto. Se, do ponto de vista administrativo, uma saída de mercado para cia. é a melhor solução, porque as alternativas que estão sendo levantadas pelos atuais controladores estão sofrendo ações contrárias. Exemplos:

  1. Os funcionários da empresa abriram mão de suas partes no fundo de pensão AERUS, a fim de injetar este dinheiro na companhia e desta forma viabilizar a continuidade das operações. Solução de mercado e já utilizada tranquilamente por empresas norte-americanas. Bem, o SPC determinou a liquidação do Fundo de pensão, a fim de garantir o direito dos assegurados. Mas que garantia é essa que impede que o seu crédito junto a VARIG (de R$1,1 bilhão, conforme dados acima) tenha, a medio prazo, a oportunidade de ser quitada? A liquidação de fundos de pensão não é um recurso para instituições que estão com muitas dívidas e financeiramente inviáveis? Porque a ação de se liquidar um fundo que tinha R$1,1 bilhão em crédito  da própria VARIG?
  2. Se o governo reconhecesse a dívida referente a ação por defasagem tarifária (já sentenciada a favor da VARIG pelo STF), a cia. certamente quitaria seus compromissos com os principais credores e conseguiria mais facilmente negociar com os credores de menor porte. Então porque o governo insiste em recorrer a instâncias superiores e “empurrar” com a barriga o pagamento desta dívida?

Infelizmente, somando estes fatos aos recentes episódios de corrupção envolvendo o partido do governo, só podemos concluir que realmente existem interesses excusos aos do Brasil no tratamento do caso da VARIG. Talvez a ligação do ex-Ministro José Dirceu com a concorrente TAM através de sua esposa (que já fez parte da diretoria da TAM), talvez a proximidade da sede da TAM com a sede do PT em Ribeirão Preto, talvez porque o atual governo deva algum favor a TAM pelo apoio recebido em suas campanhas políticas. O fato é que se em uma caso como este, onde os dados estão claros, facilitando uma decisão rápida e objetiva e esta decisão não é tomada, fica muito difícil acreditar na competência administrativa deste governo, incapaz de tomar uma decisão e se posicionar efetivamente a favor do país como um todo, e não apenas a favor dos interesses do seu partido político.

Fontes:
Relatório da Administração da Viação Aérea Rio-Grandense S/A aos seus acionistas, de 30/09/2005 (último disponível);
Jornal Zero Hora de 23/04/2006.

Junho, 2008

Hello World!!!

Nunca estas duas palavras fizeram tanto sentido: hello world!!!

Na época da programação braçal e ainda com poucos objetos para orientar os programadores, esta expressão foi muito utilizada pelos manuais para iniciantes nas linguagens de programação. Logo após as cansativas explicações de como as variáveis locais, globais, semi-globais, constantes, etc. deveriam ser declaradas, inicializadas, tratadas vinham a funções. São elas, as funções, as responsáveis por metade das maravilhas que a tecnologia nos oferece hoje. Como o seu micro-ondas permite que você regule o tempo e a potência, como o seu carro sabe que você o abasteceu com álcool ou gasolina ou misturou tudo, como o seu banco permite que você programe o pagamento e o recebimento das contas… Acredite, se este conceito matemático não existisse, não teríamos nada disso.

As funções mais básicas em uma linguagem de programação são as de interação com o usuário do software que se está produzindo. Put( ), Get( ), Print( ), Write( ), Read( ), escritas e referenciadas assim mesmo (com os parênteses vazios) são as primeiras funções explicadas pelo manuais. Falar de interação em um blog chega a ser pleonasmo, mas para estas funções a interação restringia-se a interface entre o mundo dos bits interno a CPU e o mundo real, com pessoas olhando com seus próprios olhos para o que aquele amontoado de códigos organizados pela lógica booleana iria produzir. Era praxe: os exemplos para as funções de output era escrever no monitor Hello world!!! Também escrito exatamente assim, com os três pontos de exclamação.

Olhar estes exemplos atualmente, me traz uma sensação de que os escritores de tais manuais eram um tanto quanto ingênuos, ou que o Hello World do WordPress é muito mais World, afinal, o olá agora é de fato, para todo o mundo.

Talvez esse post seja muito engraçado em alguns anos e poderei usá-lo em exposições para prender a atenção do público, assim como hoje fazem os palestrantes que narram o espanto que os surpreendeu no momento do primeiro FAX enviado ou recebido, a primeira abstração e fuga do entendimento comum sobre o funcionamento das máquinas. No código Morse e no TELEX cada caractere possuia uma código em específico, mas o FAX transmitia até a letra de próprio punho…

Pretendo neste site, expor pontos de vista, análises técnicas e estudos elaborados por mim referentes a administração. Pessoas, Marketing, Finanças, Produção, Negócios, T.I.. Esta ciência social e as vezes tão dura com a própria sociedade. Para isso, em meus próximos posts pretendo falar um pouco sobre o termo Under Construction, outras duas palavras que também mudaram de significado do tempo do Hello World!!! para o dias de hoje, e também para justificar neste as configurações do blog ainda inacabadas.

Então, Hello World!!!