Outubro, 2008...1:45 pm

Capital Capitalista

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Tentando dar continuidade ao blog, algumas considerações sobre o trabalho e o salário nas relações empresa-empregado modernas.

No meio empresarial, vejo muitas pessoas fazerem observações e até reclamarem das ações trabalhistas, ganhas na maioria das vezes pelo autor da ação, ou seja, em 99% das vezes o empregado. Mas vejo que esta é uma visão limitada de todo o contexto em que estamos inseridos e da real função das leis e regras do trabalho. Contexto que surgiu durante a revolução industrial e ganhou grandes adeptos teóricos como Adam Smith e Karl Marx.

As pessoas respondem a estímulos. Suas empresas também. Se não houvesse uma legião de defensores e efetivos direitos por parte dos trabalhadores, o que impediria de as empresas usarem práticas de abuso do trabalho e até a escravidão? Moral e ética? Não é o que o caso Enron nos diz. E você como empresário sentiria-se bem com um “bando” de trabalhadores em condições sub-humanas, dependendo diretamente de você para sobreviver?

A boa notícia é que o capitalismo não se sustentaria desta forma. Aliás esse é o motivo principal da abolição da escravidão nas colônias luso-hispânicas: a pressão inglesa para o fomento do capitalismo, modelo econômico que depende de uma coisa muito simples – o salário.

As regras trabalhistas (que, diga-se de passagem, são bastante uniformes em todo o mundo) garantem a continuidade da existência de um importante pilar de sustentação do capitalismo - o consumo. São consideradas pela Organização Mundial do Comércio, inclusive, como proteção a concorrência global, muito mais do que aos trabalhadores e aos direitos humanos.

Entendo que ao defenderem com unhas e dentes os direitos dos trabalhadores, sindicalistas, partidos políticos e até os movimentos pró-comunistas ainda remanescentes buscam fortalecer o ponto mais criticado por todos, ou seja, o próprio sistema econômico.

Um empresário de visão, sabe que uma das chaves do seu sucesso é dar a melhor condição possível de trabalho e vida para os seus colaboradores, e não para que seja admirado ou para que sua empresa tenha o carimbo de “melhor empresa para se trabalhar”, mas por que um funcionário satisfeito com a empresa é um potencial consumidor de seus produtos/serviços, assim como é uma importante ferramenta de divulgação e defesa frente a eventuais problemas e a concorrência.

Ahh… e assim também não é necessário ficar se preocupando em criticar as causas trabalhistas.

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